4.4.17

A Morte em Lisboa. Novos Dados, Novas Problemáticas

No próximo dia 8 de Abril, no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, irá decorrer o colóquio "A Morte em Lisboa. Novos Dados, Novas Problemáticas", organizado pela Comissão de Estudos Olisiponenses da Associação de Arqueólogos de Portugal.



1.4.17

Visitas Guiadas - Cemitérios de Lisboa

Já está disponível o programa de visitas guiadas nos Cemitérios de Lisboa para os meses de Abril, Maio e Junho.
Escolham o local ou o tema que mais vos interessa e inscrevam-se já enviando um email para dmevae.dgc@cm-lisboa.pt.


E no dia 20 de Maio, a visita é nocturna. 


11.3.17

"Da Mortalha ao Caixão" - Elegia


O volume número 5 da Elegia - a revista semestral da AAFC Associação de Agentes Funerários do Centro - apresenta-nos um dossier especial sobre Urnas Funerárias. Nesse dossier podem encontrar um novo artigo meu, onde apresento a história do caixão, intutilado "Da Mortalha ao Caixão".
Contactem a AAFC e assinem a revista para receber as cópias impressas vale a pena, mas para já, fiquem com o formato digital.

Boas leituras, caros Tafófilos!

9.12.16

Falecidos Famosos: Florbela Espanca

Ao entrar no cemitério de Vila Viçosa, guardado no interior do castelo, limitado pela muralha ameiada, o primeiro sepulcro que vemos é o da poetiza Florbela Espanca (Α:1894 - Ω:1930).

Nascida a 8 de Dezembro, viria a suicidar-se também a 8 de Dezembro, 36 anos depois.

Pelo caminho, uma vida cheia de tudo, mas principalmente cheia de dores que a marcaram profundamente: casamentos fracassados, crianças que nunca nasceram, a angustia da sociedade mesquinha e amores por cumprir e vários livros que ficam para sempre, como Charneca em Flor.


Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!  
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente! 
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar... 
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" 


9.8.16

"Sobre Turismo Cemiterial" na Revista Elegia

No número 4 da revista Elegia (revista semestral da AAFC Associação de Agentes Funerários do Centro) podem ler o meu artigo "Sobre Turismo Cemiterial", no qual desenvolvo esta temática, ilustrando-a com fotografias minhas de vários cemitérios europeus que visitei.
Para além do artigo, podem ainda encontrar várias referências ao blog Mort Safe.



A revista Elegia é uma publicação semestral dedicada ao sector funerário, com uma diversidade de colaborações que permite extravasar o público-alvo inicial e ser do interesse do leitor comum e, especialmente, do leitor tafófilo. 
Os números têm sido subordinados a temáticas específicas, organizadas em dossiers, cobrindo os mais variados temas; até agora foi publicado um dossier sobre Cremação (n.º1), sobre Transportes Funerários (n.º2) e sobre Cerimónia Fúnebre, Crenças e Rituais (n.º3).



18.6.16

Cemitério de Montjuïc

Panteón Augusto Urrutia i Roldán
No passado mês de Maio tive a fantástica oportunidade de passear entre as campas, gavetas e mausoléus (na Catalunha chamam-lhes panteões) dos cemitérios de Montjuïc e Poublenou.
As peças são fantásticas, gigantescas, assombrosas e todo o tempo é sempre pouco para visitar (e fotografar um sitio assim).

Montjuïc tem uma dimensão assustadora, correndo monte acima e estendendo-se verdadeiramente até se perder de vista.
A inumação é praticamente toda feita com recurso a gavetas, em paredes altas, decoradas com pequenas pedras que foram retiradas do próprio espaço agora ocupado pelo cemitério, de tonalidade amarelada. 
As pequenas portas. de metal ou de pedra, decoradas com inscrições e desenhos enchem-se de flores, deixadas pelos familiares com recurso a enormes escadas móveis em metal.
As ruas deste cemitério do século XIX - inaugurado a 17 de Março de 1883 - vão-se estendendo monte acima, começando no sopé quase sobre as águas do porto comercial de Barcelona. Sobre o cemitério, enormes e ameaçadoras gaivotas vão esvoaçando e soltando gritos, agressivas por sentirem que estamos a invadir o seu espaço.
Por entre os ciprestes e as cruzes, conseguimos vislumbrar os contentores metálicos coloridos, acabados de chegar do mar ou prontos para partir, e as enormes gruas que os movimentam. É um contraste muito realista, que sobrepõe a Morte e a Vida numa única imagem, num único instante.

O cemitério de Montjuïc nasceu para ser o Monumento dos Monumentos, numa altura em que era possível sonhar ainda com a riqueza que enchia os cofres de Barcelona. 
Os planos arquitectónicos da época mostram um detalhe e cuidado verdadeiramente grandiosos, mas foi necessário simplificar e atalhar caminho. Os restantes cemitérios não conseguiam dar resposta às necessidade da metrópole e, ao mesmo tempo, a crise financeira impedia a construção inicialmente planeada.
Ainda assim, acreditem, o espaço é de tirar a respiração.
A visita mais interessante é, como sempre em todos estes locais, às zonas mais antigas que, felizmente neste caso, são as mais baixas.
Panteón Buhigas
A perspectiva turístico-cultural do espaço está sempre presente e, para além das brochuras com mapas que são distribuídas gratuitamente na entrada dos cemitérios é também possível adquirir livros informativos muito bons e que permitem perceber a história do local, o contexto social e económico em que foi construído e quem são as pessoas que aí estão enterradas e que construíram os seus monumentos, com grande destaque para a arte em si: quem fez, em que estilo se enquadra, etc.
Existe um percurso artístico recomendado, onde junto de cada peça se pode encontrar uma placa com informação detalhada.

É muito fácil e reconfortante ser tafófilo num cemitério de Barcelona.


PS: com este post não posso deixar de agradecer a Tony Collbató e Juanjo Macias a forma calorosa como me receberam em Barcelona: sem eles, a minha experiência não tinha sido tão rica, tão cheia, tão mágica: Gràcies, amics!
O meu agradecimento também aos Cementiris de Barcelona por toda a disponibilidade e por tratarem tão bem dos seus espaço e dos seus visitantes. Que inveja, que orgulho.

É uma felicidade perceber que a comunidade tafófila não tem fronteiras para os afectos.

Para quem tem facebook, não esquecer de aderir ao grupo Apoyamos la Ruta Europea de Cementerios.

15.3.15

Monumentos Memoráveis: Thérèse Schwartze

Nos arredores de Amesterdão fica o cemitério De Nieuwe Ooster (O Novo Oriente), considerado o cemitério holandês com maior número de campas.

É um cemitério completamente diferente de todos os que já visitei: cada campa é um monumento independente, livre, sem obrigações legais ou linhas de orientação camarária; pelo menos, foi isso que retive, depois de um passeio pelo espaço.
Construído em três fases distintas (1889, 1915 e 1928), é um verdadeiro cemitério-jardim de tradição vitoriana, com caminhos ondulantes, perdidos entre árvores e arbustos. Neste momento, funciona ainda como Jardim Botânico.

Entre campas feitas de madeira, vidro colorido, metal ou pedra, encontramos, numa curva do jardim quase escondido pela folhagem verde em volta, um túmulo digno de uma princesa das histórias dos Irmãos Grimm: é a campa da pintora Thérèse Schwartze (Α:1851 - Ω:1918).
Tendo nascido em 1851 e pintado toda a vida, aprendendo as primeiras técnicas com o pai - também pintor -, mas passando por Paris, Munique e acabando por se estabelecer em Amesterdão, os seus trabalhos mais destacados são retratos, maioritariamente das figuras cosmopolitas mais eminentes do seu tempo.
É assim que ela está apresentada no túmulo: Therese van Duyl-Schwartze - Pintora de Retratos.
Em 1918, na sequência da morte do marido, a artista não resistiu ao choque e à doença que já a enfraquecia e morreu, com a idade de 61 anos.
Inicialmente, foi enterrada no famoso cemitério holandês de Zorgvlied, mas mais tarde transladada para De Nieuwe Ooster.
A sua irmã Georgine - uma escultora famosa - fez-lhe o monumento funerário, usando uma máscara mortuária como base para o rosto. 


O monumento é lindíssimo e a colocação é perfeita. A minha peça favorita do cemitério de De Nieuwe Ooster. 


18.1.15

Vídeo "Da Pedra aos Ossos: Observação do Limiar da Infinitude"

A inauguração da exposição de fotografia Da Pedra aos Ossos: Observação do Limiar da Infinitude ocorreu ontem, dia 16 de Janeiro, na galeria de arte do Palácio dos Aciprestes, sede da Fundação Marquês de Pombal.
Numa sala cheia, reunida para a primeira sessão do ciclo de palestras sobre terror Sustos às Sextas, foi feita uma breve apresentação, seguida de uma visita à exposição. 
Até final de Janeiro podem ainda (re)visitar o espaço, em preparação para a próxima palestra dos Sustos às Sextas, dia 13 de Fevereiro.

Para quem esteve presente, o vídeo que se segue é um complemento; para quem não foi ainda ao Palácio dos Aciprestes, serve de teaser.





14.12.14

Da Pedra aos Ossos: Observação do Limiar da Infinitude

No dia 16 de Janeiro de 2015 será a inauguração da minha nova exposição de fotografia, de temática tafófila: Da Pedra aos Ossos: Observação do Limiar da Infinitude.
Em dezanove imagens a preto-e-branco, explora-se os limites entre a pedra esculpida e o osso humano, através de caveiras - o speculum mortis por excelência - recordando ao Homem a sua efemeridade.


A exposição será no Palácio dos Aciprestes da Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha, integrada no programa do ciclo de palestras de terror Sustos às Sextas.

16.11.14

Inauguração de "Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular"

No passado dia 15 de Novembro, na El Pep Store & Gallery do Centro Comercial Imaviz Underground, decorreu a inauguração da exposição fotográfica Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular.
Contou com a participação musical de Charles Sangnoir de La Chanson Noire.
Apresentei as vinte e duas fotografias que compõem a série, contextualizando a imagem, a escolha e o local onde a fotografia foi tirada.

Para quem não conseguiu estar presente, pode ver o vídeo da minha apresentação dos vinte e dois Arcanos Maiores cemiteriais:




Mais surpresas em breve.